Ela ria e falava: "O Touro é diferente. O Touro é meu filho. Ele nunca machucou nem uma formiga".
O marido dela, Marcos, não se sentia seguro. Pediu pra ela 3 vezes pra colocar focinheira no Touro na rua. Ela brigava com ele e dizia: "Você tá julgando ele pela aparência".
Numa terça-feira, 7 da noite, Lúcia voltou do trabalho exausta. Tava com uma enxaqueca muito forte. O Touro, animado como sempre, veio pulando e brincando. Pela primeira vez na vida, ela gritou com ele: "Touro, chega! Minha cabeça tá explodindo".
O cachorro parou. Olhou pra ela de um jeito estranho. As orelhas ficaram pra trás.
Lúcia não percebeu. Foi pra cozinha pegar um remédio.
40 segundos depois, os vizinhos ouviram um grito de cortar o coração.
Marcos tava voltando do mercado. Achou a porta aberta. Entrou e viu a cena que ia assombrar ele pro resto da vida.
Ele ligou pro SAMU tremendo: "Minha esposa... o cachorro... pelo amor de Deus, me ajuda".
Lúcia faleceu no hospital duas horas depois.
A polícia levou o Touro. O laudo do IML disse: "ataque repentino sem provocação aparente".