Ainda me lembro da última vez que abracei Camille. Ela se agarrou a mim, chorando o máximo que podia, implorando para que eu não a deixasse. Em meio às minhas próprias lágrimas, prometi a ela algo que não sabia como cumprir—
Um dia, eu voltaria para buscá-la.
Eu não queria ir.
Mas a decisão nunca foi nossa.
Anos mais tarde, já adulto, tentei encontrá-la.
Voltei ao orfanato, na esperança de obter respostas, mas me disseram que Camille também havia sido adotada. Seu primeiro nome havia sido mudado. Seu sobrenome também.
Depois disso… todas as pistas desapareceram.
Todas as buscas terminaram da mesma maneira.
Nada.
Passaram-se trinta e dois anos.
Construí uma vida. Uma carreira. Uma família.
Mas não passou um único ano sem que eu pensasse nela.
Nenhum.
Então, na semana passada, tudo mudou.
Eu estava em uma viagem de negócios em outra região, exausto após um longo dia, quando parei em um supermercado.
Foi então que a vi.
Uma menininha — talvez de nove ou dez anos — na ponta dos pés, tentando alcançar uma caixa de biscoitos que estava fora de seu alcance.
E em seu pulso…
Eu vi.
A pulseira.
Reconheci imediatamente.
De volta ao orfanato, pouco antes de sermos separadas, eu mesma havia trançado aquela pulseira — com fios de lã que peguei em uma oficina de artesanato.
As mesmas cores.
O mesmo nó irregular.
Minhas mãos ficaram geladas.
Antes que eu pudesse me convencer do contrário, caminhei até ela e falei baixinho.
"Querida, que pulseira linda! Você mesma a fez?"
Ela sorriu radiante.
“Não”, disse ela. “Minha mãe me deu. Era dela, e depois ela me deu. Ela disse que é muito especial e que eu nunca deveria perdê-lo.”
Minha voz tremia.
“Sua mãe está aqui com você?”
Ela assentiu com a cabeça e apontou para o final do corredor.
“Sim… ela está bem ali.”
Meu coração começou a bater tão forte que parecia que ia explodir no meu peito.
Virei-me lentamente.