Jogou a ex-mulher na rua por causa de outra, e um ano depois encontrou ela catando lixo com um segredo que congelou o sangue dele de choque!
— "Para esse carro agora, Saif! Para agora!"
A voz de "Layla" cortou o silêncio do Mercedes blindado como uma faca. Saif pisou no freio por instinto, e os pneus gritaram no asfalto quente da "Estrada do Deserto", levantando uma nuvem de poeira que cobriu o carro preto.
— "Olha lá..." disse Layla com desprezo, apontando com o dedo, "Não é a madame... sua ex-mulher?"
Saif virou o rosto devagar na direção da janela... E naquela hora, o mundo inteiro parou.
A alguns metros, debaixo de um sol que rachava pedra, estava "Hana".
Não era mais a mulher que ele amava loucamente, nem a madame chique que andava do lado dele nos clubes mais caros do Cairo enquanto todo mundo a respeitava. A mulher na frente dele era a imagem viva de uma vida destruÃda: roupa rasgada e suja, um chinelo velho quase caindo do pé, o cabelo preso de qualquer jeito, a pele queimada de tanto ficar no sol... e um cansaço no rosto que cortava o coração.
Mas tinha outra coisa.
Uma coisa que fez a mão de Saif tremer no volante sem ele perceber.
Hana estava carregando duas crianças recém-nascidas no peito, enroladas num "xale" velho. Gêmeos... recém-nascidos ou de poucos meses. Dormindo de tanto cansaço e calor. E mesmo de longe, Saif viu um detalhe que partiu o peito dele no meio:
As crianças tinham o cabelo loiro... igualzinho ao dele. Tinham o sangue dele.
No chão, aos pés de Hana, tinha um saco cheio de garrafas de plástico e latinhas velhas que ela catava. A ex-mulher dele, a mulher pra quem ele jurou amor eterno diante de Deus, tinha virado "catadora" juntando lixo nas estradas pra alimentar duas crianças que ele nem sabia que existiam!
— "Olha só pra Hana!" Layla botou meio corpo pra fora da janela com um sorriso venenoso, "Catando lixo? Esse é mesmo o seu lugar. Tá fazendo o quê aqui? Esperando alguém ter pena de você?"
Hana não respondeu, nem olhou pra Layla. Os olhos dela estavam nos olhos de Saif, e o olhar dela tinha uma tristeza que tirava o fôlego.
— "Vai embora, Saif", Layla continuou com nojo, "A gente não tá precisando de problema... E essas crianças com certeza são de um dos caras que você conhecia, né, Hana?"
A palavra "relacionamentos" explodiu memórias na cabeça de Saif de um ano atrás.
O dia que ele expulsou ela da mansão depois que "Layla" mostrou pra ele transferências bancárias de centenas de milhares das contas dele pra contas desconhecidas, e fotos tremidas de Hana entrando num "hotel barato" com um homem estranho... E o golpe final foi quando ele achou o "colar de diamante" da mãe dele escondido no meio das roupas dela.