E se ela se recusasse a atender?
E se ela me ignorasse na saída?
E se ela me desprezasse? Eu?
Estacionei em frente a uma modesta casa azul com venezianas brancas e me forcei a caminhar até a porta.
Bati.
Passos se aproximaram.
Quando a porta se abriu, soltei um suspiro de surpresa.
Caroline estava lá.
Ela não era uma estranha, mas a mesma mulher que morava três casas abaixo da nossa anos atrás, antes de se mudar repentinamente. Aquela que trouxe bolo de banana quando Emma nasceu.
Assim que me viu, empalideceu.
"Claire", sussurrou.
Atrás dela, uma menininha espiou por cima da sua perna.
Cabelos escuros. Os olhos de Daniel.
Meus joelhos quase cederam.
"Você", consegui dizer.
Os olhos de Caroline se encheram de lágrimas. "Onde está Daniel?"
"Ele foi embora", eu disse. "E me deixou com um problema para resolver."
Sua voz tremia. "Eu nunca quis destruir sua família."
"Você pediu para ele sair de casa."
Seus ombros tremeram. "Sim. Eu o amava."
"Ele não sentia o mesmo", eu disse baixinho.
A verdade era mais difícil de ouvir do que qualquer desculpa.
"Ele sabia que ia morrer", continuei. "Foi por isso que me contou. Ele não queria que sua filha ficasse sem sustento." Caroline assentiu lentamente. "Os pagamentos pararam no mês passado. Presumi que algo tivesse acontecido."
“Eles vão fazer de novo”, eu disse, olhando-a nos olhos. “Mas isso não nos torna uma família.”
Um lampejo de choque cruzou seu rosto.
“Estou com raiva”, admiti. “Não sei quanto tempo essa raiva vai durar. Mas Ava não escolheu nada disso. E agora…” Fiz uma pausa, organizando meus pensamentos. “Agora cabe a mim decidir quem vou me tornar.”
Fiquei surpresa com minhas próprias palavras.
Naquela noite, dirigindo para casa, o mundo parecia estranhamente silencioso.
Pela primeira vez desde a morte de Daniel, não senti que tudo estava acontecendo comigo.
Senti que eu estava escolhendo o que aconteceria a seguir.