Nesta carta, ele se dirigia a uma mulher chamada Caroline. Ele escreveu que não me deixaria nem às crianças, que nos amava. Ele também disse que se importava com Ava e continuaria a sustentá-la, mas que não podia dar a Caroline a vida que ela queria.
Apertei a carta contra o peito. Ele não nos abandonou.
Mas viveu uma mentira todos os dias.
Por baixo das cartas, havia extratos bancários impressos — transferências mensais regulares que remontavam a vários anos.
Prendi a respiração.
Então, peguei um dos envelopes. Era idêntico ao que eu havia encontrado escondido no colchão de Caleb.
"Claire,
Pensei que fosse temporário. Que eu pudesse resolver o problema antes mesmo de você saber.
Eu estava enganada.
Ava não pediu para nascer do meu fracasso. Não posso deixá-la de mãos vazias.
A chave mais valiosa é um cofre no nosso banco. Você pode guardar ou vender relíquias de família lá.
Sei que não mereço seu perdão, mas imploro por misericórdia. Por favor, conheça-a. Ajude-a se puder. É a última coisa que não consigo resolver sozinha.
Deslizei para baixo, sobre uma caixa de enfeites de Natal, e olhei para as vigas de madeira acima de mim.
Daniel não havia revelado a verdade por coragem. Ele o fez porque estava morrendo. Porque sabia que não estaria lá para enviar a próxima parcela — e que, assim que o dinheiro fosse cortado, seu segredo seria revelado.
A dor se transformou em algo mais agudo.
"Você não vai me deixar fazer isso!" Gritei para o ar empoeirado: "Vocês não vão morrer e me deixar com mistérios para resolver!"
O assoalho rangeu sob meus pés.
"Mãe?" Caleb chamou.
"Estou bem, querido!" Respondi — outra mentira.
Juntei os papéis e desci do sótão. De volta ao nosso quarto, espalhei tudo na cama. Em uma das cartas de Caroline, o endereço do remetente estava impresso cuidadosamente em um canto.
Avenida dos Bétulas.
Não precisava de cidade. Era nossa, a apenas vinte minutos de distância.
Juntei os documentos e os coloquei na gaveta do meu criado-mudo.
Se eu esperasse, perderia a coragem.
Então fui à casa de Kelly, minha vizinha, e perguntei se ela poderia cuidar das crianças por um tempinho. Mãe de um menino de onze anos, dona de casa, ela adorava ter crianças em casa. Recebeu as minhas de braços abertos.
Caleb hesitou na porta, observando meu rosto, e então entrou.
Voltei para casa, peguei minhas chaves e entrei no carro.
A viagem até a Rua dos Bétulas pareceu irreal.