Meu marido pegou uma e colocou na minha mão.
"Ele faz uma toda vez que a dor fica insuportável", disse ele.
Olhei para a frágil estrela, cuidadosamente dobrada em papel azul brilhante.
"Ele acha que se conseguir mil", continuou meu marido gentilmente, "você vai dizer sim."
Essas palavras me atingiram como um soco no coração.
Minha garganta se fechou enquanto eu encarava a cama.
Seus olhos se abriram lentamente ao ouvir minha voz.
Quando ele me viu, um leve sorriso surgiu em seu rosto magro.
"Eu sabia que você viria", disse ele fracamente. Meu coração se partiu.
"Você sempre volta."
Aquilo doeu.
Porque ele não tinha voltado.
Nem no início da doença.
Nem quando os médicos disseram que a leucemia era agressiva.
Nem quando nos disseram que não tínhamos tempo a perder.
Só para dar um exemplo,
aproximei-me lentamente da cama e peguei delicadamente em sua mão, com medo de machucá-lo.
Seus dedos pareciam tão pequenos nos meus.
"Estou aqui agora", disse baixinho. "Não vou a lugar nenhum."
Ele assentiu levemente, como se isso bastasse.
Como se a minha mera presença resolvesse tudo.
Olhei para o meu marido.
Ele estava parado perto da porta, observando-nos, cansado demais até para ter esperança.
"Ainda não é tarde para começar o transplante, não é?", perguntei.
Ele não respondeu por um instante.
Então esfregou o rosto e disse: "Ainda temos tempo. Mas precisamos agir rápido." Continue lendo na próxima página.
Apertei a mão do menino.
"Tudo bem", eu disse. Minha voz estava mais firme do que eu imaginava.
"Então ligue para eles. Reserve a data mais próxima disponível."
Meu marido me encarou.
"Vou ligar", eu disse.
Os dedos do menino apertaram os meus com mais força.