Saif ainda lembrava do rosto de Hana naquela noite, ajoelhada aos pés dele chorando:
— "Juro que não fiz nada, Saif... A Layla tá mentindo, isso é uma armação... Por favor, me escuta... Eu..."
Mas ele não escutou. O orgulho cegou ele e ele expulsou ela no meio da noite, de pijama e sem um centavo.
O barulho da buzina de uma carreta acordou ele dos pensamentos. Layla tirou uma nota de 200 reais e jogou pela janela com desprezo:
— "Toma... Compra leite pras crianças".
O dinheiro caiu na poeira aos pés de Hana. Ela olhou pro dinheiro por um segundo, depois levantou os olhos pra Saif de novo. Não tinha ódio nos olhos dela, tinha uma "pena" que doÃa no coração. Ela cobriu a cabeça das crianças com o xale pra proteger da poeira, pegou o saco dela e continuou andando em silêncio, sem falar uma palavra.
Saif sentiu que a alma dele tava sendo arrancada. Ele queria descer, se jogar aos pés dela e pedir perdão, mas a Layla tava do lado dele fazendo drama. Naquela hora ele entendeu uma coisa: se enfrentasse a Layla agora sem prova, ia perder qualquer caminho pra verdade.
Ele pisou no acelerador e foi embora, mas vendo a silhueta de Hana diminuindo no retrovisor, ele jurou que ia revirar o mundo pra descobrir o que realmente aconteceu.
Deixou a Layla num "shopping" grande e correu pra empresa dele. Se trancou no escritório e ligou pra um ex-comandante que trabalhava como "detetive particular". Mandou ele seguir cada passo da Hana, descobrir de quem eram aquelas crianças, e reabrir o processo de divórcio do zero.