"Meu Deus, Daniel... o que você fez?"
Engoli em seco. As crianças estavam lá embaixo, assistindo desenhos animados. Elas não ouviram a mãe desmaiar.
Reli a carta com mais atenção.
Não havia confissão, apenas instruções.
Na última linha, ele havia escrito: "Se você decidir procurar o resto, use a chave menor. A primeira resposta está no sótão. Por favor, não pare por lá."
Era só isso.
Ele não me contou o que tinha feito.
Deixou para mim a tarefa de descobrir.
Encarei as duas chaves — uma grande, uma pequena.
"Você planejou isso", sussurrei. "Você sabia que eu encontraria."
Quase não subi as escadas.
Mas se eu não soubesse, nunca mais dormiria.
Enquanto atravessava a sala, Caleb olhou para cima.
“Mãe? Por que você estava gritando?” “Deixei cair alguma coisa”, respondi rapidamente. “Fique com seus irmãos.”
A escada do sótão rangeu enquanto eu descia.
Daniel havia reorganizado o sótão durante seu último mês relativamente bem-sucedido. Eu me perguntava o que ele poderia estar escondendo.
Procurei por quase uma hora antes de chegar à parede dos fundos.
Havia um baú de cedro que eu não abria há anos.
A pequena chave serviu.
Girei-a.
Dentro havia maços de envelopes amarrados, vários recibos de banco e algo cuidadosamente embrulhado em papel de seda.
Minhas mãos tremeram enquanto eu desembrulhava.
Uma pulseira de nascimento de recém-nascido.
Rosa.
A data impressa nela quase me fez ceder.
Já haviam se passado oito anos desde então, o mesmo mês em que Daniel e eu nos separamos por três meses após uma de nossas piores brigas.
“Não”, sussurrei. “Não...”
Olhei para o nome.
Ava. Minha garganta apertou quando peguei a pilha de cartas.
O primeiro envelope que abri não era do Daniel.
"Daniel,
Não posso continuar assim. Ava está crescendo. Ela me pergunta por que você não fica. Não sei mais o que dizer a ela. Você precisa escolher. Por favor, não me deixe criá-la sozinha enquanto você tenta reconstruir sua vida.
C.
Abri outra carta.
“Daniel,
Eu sei que você acha que está protegendo a todos, mas você está nos machucando. Se você me amasse, não ficaria voltando para ela. Deixe-a. Fique conosco. Ava merece. Por favor.”
As cartas flutuavam diante dos meus olhos enquanto eles se enchiam de lágrimas.
Procurei no baú novamente até encontrar uma escrita com a própria letra de Daniel.