O pai abandonou seus dois filhos após a morte da mãe; quando retornou, não fazia ideia do que estava prestes a descobrir.

Após a morte da mãe, o pai os abandonou. Anos mais tarde, quando finalmente retornou, não fazia ideia do que estava prestes a enfrentar.

Susana faleceu numa sexta-feira chuvosa de março, numa curva perigosa de uma rodovia em Jalisco. A chuva durou apenas alguns minutos — o suficiente para deixar a pista escorregadia, o suficiente para mudar três vidas para sempre. Laura tinha sete anos e estava sentada na sala de aula quando a diretora apareceu à porta com uma expressão solene. Daniel tinha apenas três anos e não entendia nada quando sua avó Catalina chegou à creche com os olhos cheios de lágrimas e o levou para casa às pressas.

O que eles entenderam logo em seguida foi simples e devastador: sua mãe havia partido.

O que demorou mais para ser assimilado foi que o pai deles — aquele que deveria tê-los mantido unidos — escolheria ir embora.

Durante os três primeiros meses, Rodrigo ficou em casa. Parecia abatido, movia-se lentamente, falava pouco e olhava fixamente para as fotos de Susana. Mas então as coisas começaram a mudar. Ele começou a chegar tarde em casa… e, por fim, a não chegar mais.

Certa noite de junho, Laura acordou com o barulho de malas sendo arrastadas pelo chão.

Ela entrou no corredor descalça e o viu parado perto da porta.

Ele mal olhou para ela. Aquela expressão ficou gravada em sua memória para sempre — não era tristeza, nem culpa, nem medo. Apenas o rosto de alguém que já havia tomado sua decisão.

“Sua avó Catalina virá pela manhã”, disse ele baixinho. “Ela cuidará de você.”

Laura ficou paralisada, sem conseguir entender como alguém podia dizer uma coisa dessas e simplesmente ir embora.

A porta se fechou.

O elevador desceu.